quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

V-ida

Onde está aquela pessoa grande capaz de interpretar perspicazmente as minhas metáforas?
Onde estás?
Já passou da hora e ainda continuo aqui à espera do tal abraço.
Onde estás? Sim tu, que me sugas a energia e me projectas para sítios onde nem sequer pensava ir?
Onde está a pessoa que me desinfecta a alma e me devolve anos de vida?
Sim tu, das gargalhadas feias, do riso estúpido, das coisas na barriga que fazem rir?
Onde está a perfeição das horas por que não damos a passar?
Não tenho saudades tuas, mas faltas-me tanto!
Sim tu, sem problema nenhum de te apontar o dedo.
Tu que me metes a falar do tempo; não, hoje não vou olhar para as luzes para me distrair.
Deixa-me estar aqui, longe de tudo, com todo o orgulho de poder dizer de boca cheia que te reconheço de olhos fechados.

domingo, 9 de novembro de 2014

...

Mãos ao alto, rendo-me com as que tenho e mais algumas.
Está uma noite bastante fria,mesmo daquelas vagas o suficiente para mais uma vez escrever para ti.
Desta vez um rascunho que ficará esquecido no caderno à espera que me procures.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E agora, quais os restos que vais guardar de mim em ti?
Passou a tempestade e este podre barco deixa-se boiar pela maré, em alto mar, desabitado, 'à espera que algo aconteça', esperando que a ironia do destino se faça à vida e que esses labirintos fechados que deixas florir pelo peito a dentro se estilhacem, apodreçam. Há quem tenha fé que aqueles pedaços de madeira podre cheguem a bom porto, eles apenas anseiam pelas mãos do bom mecânico que os torne habitáveis, para voltarem às grandes tempestades em alto mar, à conquista de novos dias em que o destino se alimenta de tórridas ironias.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Contacto desconhecido


Sei lá…o que queres que te diga?
Não estou em mim, não me reconheço, há coisas a bloquear o que sinto, não lhes sei dar nome; mas há coisas.
Gostava de ter mais explicações, mas acima de tudo gostava que estas palavras fossem a resposta à pergunta que não te interessa fazer, e graças a isso fico aqui sem explicar.
Há alturas em que se baralha o sistema, e me apetece tirar a capa que esconde a minha liberdade, sim, não passa de uma capa, e não, não te traio. E agora? Será que isso te importa, ou estamos aqui apenas para manter as aparências que apenas a nós dizem respeito?
Aqui não há problemas, há mágoas, muitas, e não, não dói, mas arde e afasta. Mata, mas não a mim nem a ti, mata sentimentos, mata verdades e vontades.
E agora? O que queres fazer da tua vida, ou por outra, o que vais fazer da minha vida?