Dizem que és tu aquele que melhor me conhece.
Ao que parece, sabes muito antes de eu pensar
todos os meus pensamentos e sentimentos de cor.
Ontem desabafei contigo e de certa forma sinto-me aliviada,
mesmo ''falando sozinha'' senti o conforto de me estares a ouvir.
Se não for em ti, em quem mais poderei confiar tudo isto que remexe no meu peito?
Quem melhor que tu para meu confidente?
Tudo o que te disse foram puras verdades, em que vivo,
em que acredito e onde acabo por me esconder.
Espero poder retribuir-te em felicidade,
pois é nos momentos mais dificeis e crueis que chamo por ti,
e sei, que mesmo não sendo exemplo nenhum de perfeição a teus olhos,
me compreendes e me amparas a cada grito sufocado que amarro no peito,
quando a noite teima em me trair com mais uma insónia.
Era uma vez uma menina que vivia a solidão,acompanhada pela sua culpa.
Todos os dias sonhava com o terminar de um processo que para ela era o castigo a cumprir por todos os erros e passos em falso do passado.
Nos dias de chuva acordava com o coração apertado, deprimida, com pouca coragem para mais um dia de pesadas culpas e esperas intermináveis.
Com os primeiros raios de sol dos dias mais quentes, afastava a tristeza com um sorriso suave que a acompanhava em qualquer suspiro desses dias.
Chamava a felicidade, escrevia poemas à sua solidão.
Queria ser feliz e tinha noção que para o ser de facto é preciso passar por momentos menos agradáveis.
Vivia todas as suas paixões num mundo secreto, escondia-as no mais profundo dos seus esconderijos e como se fosse feliz vivia-as assim na sua imensa solidão.
Tinha medo de ser feliz, ou tinha medo que a felicidade a voltasse a mandar para o mundo das incertezas, para o mundo das desilusões, para o Mundo onde o sangue gela com a partida de alguém que não morrendo, facilmente a poderá vir a fazer sentir repetidamente o amargo sabor da quebra indesejada de laços.
Sentia grande adrenalina a correr-lhe nas veias, quando se aproximava de pessoas rotuladas de 'perigosas' no mundo dela, tinha todas as vontades das pessoas especiais, mas sentia-se vulgar por não ceder a elas por medo de voltar a sentir-se vazia e na solidão do quase eterno.
Chegaram os dias em que as mãos lhe tremiam e os sorrisos eram espontâneos cada vez mais surpreendida com os olhos da tentação, essas noites eram de pouco sono e quando acordava sentia a sua paixão irradiar o Mundo que a rodeava, sentia novamente vontade de arriscar, mesmo sem saber se aqueles olhos eram realmente os que queria ou a queriam a ela, mesmo sem saber se aquele sorriso era motivo suficiente para arriscar uma nova solidão, uma nova quebra de laços indesejada.
O que antes me fervia nas veias e dava vontade de partir tudo à minha volta, parece ter amadurecido (passou do prazo)...
Hoje em dia [dá-me vontade de...]dá-me nós na barriga, como se tivesse bebido um chocolate quente com laxante!
Parece-me um bom progresso!! (=
Tudo o que poderia dizer
sai-me a ferro e fogo
directamente do coração
para um lugar
onde o nosso tempo
vai sendo cremado.
Suponho que o que sobra
é aquilo
que faz o formigueiro
no meu peito
e
aquela sensação
meio molhada,
fervilhando
do pescoço
aos olhos.