Acordei com o teu acordar, como se a meu lado dormisses.
Roubava-te dos teus sonhos, acordando-te nos meus.
Sonhavas com coisas tristes, e eu ali, acordada, desejando apenas saber com o que sonhavas. Enquanto dormias renovamos os laços, recordámos as promessas; Enquanto dormias em meus sonhos despi-te de bom-senso, queria deixar-te à vontade, queria que fosses feliz.
Chegaram os momentos em que partilhávamos insónias, aquele momento em que apesar de comummente dormirmos, ali estávamos em claro, acordando em verdades opostas que vivíamos até ali em segredo.
Brinquei com a sombra da minha mão, enquanto esperava que acordasses.
De olhos fechados, por tanto tentar dormir, suavemente afugentava a memória do teu corpo quase despido a meros centímetros do meu; e tu sem acordar.
A mesma mão com que brinquei nas sombras recordava-me a sensação de passá-la pelas tuas costas, cada traço, cada sinal...; voltaste-te para o lado, continuei a tentar dormir.
Desta vez em pensamentos fumei alguns cigarros, para que o tempo não nos faltasse, fumei-os todos, sempre um de cada vez.
Aqui estou eu, a contar os minutos debaixo de toda esta escuridão e a escassa luz a tentar guiar-me a ti, teimosamente insiste em seduzir-me.
Acordei, olhei para o lado, disseste Bom Dia!
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
That fucking Diem
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Mundos.
Todos temos fases em que precisamos literalmente de nos reconstruir. No meu caso parece que o passado me persegue ou sou eu quem o persegue, vou vivendo de fragmentos do que fui, e foram comigo. Há algo que me faz querer ficar quieta, parada, à espera da oportunidade que não chega, do momento que não passa, e do final feliz da história que não acabei de contar. Chega aquele momento em que queremos a oportunidade de sermos melhores, mais atentos e verdadeiros; e a verdade é que tudo foge, tudo passa, tudo morre. Eu continuo aqui,agarrada à bandeira do meu mundo, fingindo que vivo, que o que não me preenche é suficiente. Não quero o passado, não quero nada repetido, simplesmente quero o que me faz ser natural, espontânea sem ter de me anular, sem ter de fingir que não sou a pessoa que sempre fui. Fecho os olhos e vivo numa realidade completamente diferente da que me é comum dia após dia, vou vivendo uma vida que não é minha, uma vida que não é tua, uma vida que é de quem se for atravessando no nosso caminho, o jogo do tanto faz. Que ninguém se atreva a atiçar a minha dúvida do que poderia ser se nunca tivesse sido, pois sem desconfortos nunca saberia ser o que sou hoje, nem para ti, nem para ninguém. Tanto faz, seja como for, eu estou e estarei bem. Até porque quanto mais me reinventar, mais profunda estará esta verdade que dói, corrói e me dá a oportunidade de viver várias vidas enquanto espero quieta de braços cruzados pela vida que sempre quis.
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