Mundos.
Todos temos fases em que precisamos literalmente de nos reconstruir. No meu caso parece que o passado me persegue ou sou eu quem o persegue, vou vivendo de fragmentos do que fui, e foram comigo. Há algo que me faz querer ficar quieta, parada, à espera da oportunidade que não chega, do momento que não passa, e do final feliz da história que não acabei de contar. Chega aquele momento em que queremos a oportunidade de sermos melhores, mais atentos e verdadeiros; e a verdade é que tudo foge, tudo passa, tudo morre. Eu continuo aqui,agarrada à bandeira do meu mundo, fingindo que vivo, que o que não me preenche é suficiente. Não quero o passado, não quero nada repetido, simplesmente quero o que me faz ser natural, espontânea sem ter de me anular, sem ter de fingir que não sou a pessoa que sempre fui. Fecho os olhos e vivo numa realidade completamente diferente da que me é comum dia após dia, vou vivendo uma vida que não é minha, uma vida que não é tua, uma vida que é de quem se for atravessando no nosso caminho, o jogo do tanto faz. Que ninguém se atreva a atiçar a minha dúvida do que poderia ser se nunca tivesse sido, pois sem desconfortos nunca saberia ser o que sou hoje, nem para ti, nem para ninguém. Tanto faz, seja como for, eu estou e estarei bem. Até porque quanto mais me reinventar, mais profunda estará esta verdade que dói, corrói e me dá a oportunidade de viver várias vidas enquanto espero quieta de braços cruzados pela vida que sempre quis.
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